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7 de mar de 2011

APRENDENDO

 
 
"Um jovem aprendiz empurrou uma pesada porta de madeira, entrou e demorou um pouco para acostumar os olhos com a pouca luminosidade do local de estudo.

Finalmente, ele localizou um ancião sentado atrás de uma enorme escrivaninha.
De forma estranha, apesar do escuro, ele fazia anotações num grande livro, tão velho quanto ele.
O discípulo se aproximou com respeito e perguntou, ansioso pela resposta : "Mestre, qual o sentido da vida? "

O idoso monge permaneceu em silêncio.
Apontou um pedaço de pano, um trapo grosseiro no chão junto à parede.
Depois apontou seu indicador magro para o alto.
Mais do que depressa, o discípulo percebeu que ele apontava para o vidro da janela, cheio de poeira e teias de aranha.
Pegou o pano, subiu em algumas prateleiras de uma pesada estante forrada de livros.

Conseguiu alcançar a vidraça, começou a esfregá-la com força, retirando a sujeira que impedia a transparência.
O sol inundou o aposento e iluminou com sua luz estranhos objetos, instrumentos raros, dezenas de papiros e pergaminhos com misteriosas anotações.

Cheio de alegria, o jovem declarou : "Entendi Mestre! devemos nos livrar de tudo aquilo que não permita o nosso aprendizado. Buscar retirar o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que impedem que a luz do conhecimento nos atinja. Só então poderemos enxergar as coisas com mais nitidez".

Fez uma reverência e saiu do aposento, a fim de comunicar aos seus amigos o que aprendera.
Vendo o discípulo se afastando, sorriu levemente e falou para si mesmo: "Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga. Afinal, eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde ele havia caído."

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